20. Opções, proteção e o dinheiro grande

Dois jeitos de se proteger. À esquerda, uma pilha de ações sob um guarda-chuva chamado "a put": a put ganha valor quando o preço cai e compensa a queda das ações. À direita, parte da pilha sai: vender uma parte da posição diminui a exposição, mas deixa de ganhar na parte vendida.

O que é uma opção. Uma opção é um contrato que dá a quem compra o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender um ativo por um preço combinado (o ) até uma data (o ). Quem compra paga um valor por esse direito: o .

Call: o direito de comprar. Ganha valor quando o preço sobe.

Put: o direito de vender. Ganha valor quando o preço cai. Por isso ela também é usada como proteção, parecida com um seguro.

Um exemplo, com números inventados. Uma ação está a R$ 100. Uma put com strike de R$ 95, que vence daqui a dois meses, custa R$ 2. Quem compra essa put paga R$ 2 pelo direito de vender a ação a R$ 95 até o vencimento, aconteça o que acontecer com o preço.

Se a ação cai pra R$ 80, esse direito vale pelo menos R$ 15: é poder vender por R$ 95 o que no mercado vale R$ 80. Se a ação sobe pra R$ 110, ninguém quer vender por R$ 95. A put vence sem valor, e quem comprou perde os R$ 2.

O relógio corre contra quem compra. A opção tem data de validade. Se o preço fica parado ou demora demais, ela perde valor todo dia e pode virar pó no vencimento. Quem compra opção pode perder 100% do que pagou. Por isso "é baratinho" não diz nada sobre a chance de dar certo: várias apostas baratas que viram pó somam uma perda grande.

Quem vende a opção. Do outro lado de quem compra existe quem vende. Quem vende recebe o prêmio agora e assume a obrigação. Uma comparação: é parecido com uma seguradora, que recebe a mensalidade e paga se o acidente acontecer. Na maior parte do tempo a seguradora fica com a mensalidade. Mas se o mercado andar muito contra quem vendeu, a perda pode não ter limite. Por isso existem jeitos de vender com a perda limitada: a venda coberta (quem vende já tem o ativo ou o dinheiro guardado) e as travas (quem vende também compra outra opção, e a própria estrutura limita a perda máxima).

Como o dinheiro grande se protege. Um fundo junta o dinheiro de muita gente, e um gestor decide onde colocar. O primeiro objetivo de um fundo é não perder dinheiro, antes de ganhar. Os grandes quase nunca apostam tudo numa direção: eles têm uma ideia principal e, do lado, uma proteção pro caso de estarem errados. E o dinheiro grande não entra nem sai de uma vez. Se um fundo tentasse vender tudo num dia, ele mesmo derrubaria o preço. Por isso, muitas vezes, em vez de vender, ele protege.

O hedge, passo a passo. Hedge é o nome dessa proteção. Com os mesmos números inventados:

  1. A posição. Um fundo tem muitas ações que comprou há tempo e não quer vender: é uma posição de longo prazo, e vender tudo mexeria no preço. A ação está a R$ 100, depois de uma subida longa.

  2. A dúvida. O gráfico mostra sinais de cansaço perto de um topo: uma no IFR (capítulo 13), ou o preço perdendo a média (capítulo 10). Pode vir uma queda, e ninguém sabe.

  3. A proteção. Em vez de vender as ações, o fundo compra puts com strike de R$ 95. Paga o prêmio, como quem paga um seguro.

  4. Se o preço cai. As ações perdem valor, mas as puts ganham. Uma parte compensa a outra.

Um jeito que o Dan (The Chart Guys) conta que usa: quando as puts já estão no lucro, ele vende metade delas. Esse dinheiro paga o seguro inteiro, e a outra metade continua protegendo, agora sem custo.

  1. Se o preço sobe. As puts perdem valor e podem vencer sem valor. O fundo perdeu o prêmio, mas as ações continuaram subindo. O prêmio foi o custo da proteção.

Duas formas de se proteger. Comprar a put não é o único caminho. Quem tem uma posição e acha que vem uma queda também pode vender uma parte. Cada caminho tem o seu custo:

Comprar a put e ficar com as ações Vender uma parte da posição
Como funciona A put ganha valor quando o preço cai e compensa a queda das ações Você vende uma parte e diminui o quanto está exposto
Se o preço subir A put vira pó, você perdeu só o prêmio, e as ações continuam ganhando Você deixa de ganhar na parte vendida
Custo O prêmio, e o relógio Nenhum prêmio, mas você perde a alta daquela parte
Serve pra Proteger, perto de um topo, uma posição de longo prazo que você não quer vender Diminuir o tamanho de vez

Pra que serve o hedge, e pra que não serve. O hedge é uma ferramenta pra proteger uma posição de longo prazo perto de um topo. Não é pra consertar um trade que já está perdendo. Num trade, a resposta pra uma perda é o stop (capítulo 17), não um seguro comprado depois.

Opções no lugar de dinheiro emprestado. Uma call dá exposição grande com um valor pequeno, e a perda máxima de quem compra é o prêmio. Com alavancagem comum, uma queda forte pode zerar a conta e ainda deixar dívida. Com a call, o pior caso é ela vencer sem valor. As duas formas têm risco, e cada um precisa entender qual está correndo.

Open interest: o dinheiro apostado. Open interest é a quantidade de contratos de opção que ainda estão abertos. Lembra do capítulo 9 do nível 2: onde tem muitos contratos apostando num preço, tem muito dinheiro apostado.

Se o preço anda e o open interest sobe junto, é sinal de que tem dinheiro novo entrando na aposta. Perto do vencimento, muita gente observa os preços com muitos contratos abertos. Às vezes o preço fica rondando perto deles. Às vezes não.

Palavras deste capítulo

Strike
O preço combinado numa opção: o preço pelo qual quem compra tem o direito de comprar ou vender o ativo.
Vencimento
A data até a qual vale o direito de uma opção.
Prêmio
O valor que quem compra uma opção paga por esse direito. Quem vende recebe o prêmio agora e assume a obrigação.
Divergência
Quando o preço faz um novo topo ou fundo e o indicador não acompanha.
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Fim do capítulo 20

Nível 3, O cinto de utilidades.

A seguir · cap. 21 Encontrando a sua edge Módulo H: falta 1 capítulo para "Sei qual é a minha edge." Continuar · 2 min

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